terça-feira, 20 de setembro de 2016

Sou uma daquelas mães...




A primeira aula de natação da Sardanisca aconteceu no sábado. Foram 40 ou 45 minutos de apneia... para mim! Ela estava a curtir eu é que me tive de me agarrar ao lugar para não saltar para dentro de água! A professora não podia ser mais criativa, atenta e meiga... mas ela é uma e eles são sete pingos de gente cheios de vontade de testar o ritmo cardíaco dos pais. Uma das pequenas, a meio da aula, resolveu largar a borda da piscina. À conta disso foram meia dúzia de pirolitos mas acho que aprendeu. A minha, quando estava a fazer "bolinhas" enganou-se e aspirou a água. Tossiu um bocadinho, eu fui lá dar um beijinho e continuou como se nada fosse - enquanto o meu coração restabelecia o ritmo normal - a "espreitar os peixinhos que estavam no fundo da piscina", a fazer o "macaquinho" (entrar e sair da piscina pela parede), fez a "estrelinha" (boiar apoiado) e enquanto isso, eu estava entre o babada e o pânico. Não percebo porquê!! Não tenho medo de água, muito pelo contrário, adoro nadar, ela adora água, não sou superprotectora mas estava com o coração a mil! Pior, quando dei por mim, em vez de estar nas bancadas já estava sentada a 2 metros da piscina. Fiquei feliz quando olhei para o lado e vi que um pai tinha ido mais longe do que eu na questão da paranóia: estava todo equipado - touca e óculos incluído - e pronto a entrar na água (a ideia era só assistir). Eu pelo menos, apesar de ter levado o fato de banho, o dito cujo não se via e por isso até passava por normal. Próximo sábado estamos de volta e eu já tenho o xanax debaixo da língua!
Já agora, a miúda só fez birra para sair da água! De resto parecia uma peixinha!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Brace yourself...


Aqui vou eu repetir o que toda a gente diz: vai começar a loucura!
A semana que entrou é a primeira de muitas em que o tempo para me coçar vai ter de ser muito bem planificado. Confesso que estou um bocadinho assustada mas ao mesmo tempo animada, porque acho que vai ser possível fazer tudo sem falecer ou enlouquecer, não necessariamente por esta ordem. A questão é que o "projecto" da saúde está em marcha e a todo o vapor, e o horário que me calhou na rifa vai pôr à prova a minha capacidade de organização. Não estou para voltar a acordar toda (ou mais) entrevada porque lá foi uma dose de estrogonoff cheio de natas, um bolinho cheio de açúcar para matar o ratinho a meio da manhã e daí até ao estatelanço final é um passinho bem pequeno! Posto isto, não me parece que haja outra solução que não seja enfrentar a cozinha e preparar pequenos-almoços (tenho de sair de casa às 7h00), almoços e jantares para dois adultos e uma criança para cinco dias da semana. Ao fim-de-semana o Homem que se desenrasque que eu estou de folga (tirando o sábado para tratar da roupa e do domingo para as refeições... oi?!... então e a folga?!).
A dose da imagem levou quatro ou cinco horas a preparar. Foi muito divertido.
Vamos lá ver como é que corre!

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Fruta, legumes, surpresa e conforto (o melhor que se consegue arranjar no que toca a títulos)


Continuo a ser muito fã da Quinta do Arneiro (QA) e mais ainda quando me esqueço de fazer a encomenda. A questão é que a QA vai-nos avisando por mail que devemos fazer a nossa encomenda até mesmo à última mas, mesmo assim, há domingos em que me esqueço. Podia significar que ia ficar a chuchar no dedo e sem os meus ricos legumes e frutas... mas não! A QA tem cabazes semanais e, a menos que haja um cancelamento da encomenda, é esse cabaz que envia. Só isto já é um descanso, mas o que me tem animado nos meus esquecimentos é o chegar a casa e descobrir o que vem no cabaz semanal, uma espécie de caixa mistério do Masterchef. Verdade seja dita que também somos informados do que vem no cabaz da semana mas, como eu prefiro escolher o que vou encomendar, nunca ligo. 
Da última vez que me esqueci de fazer a encomenda dei por mim a olhar para o meu "cabaz surpresa" e a pensar que dificilmente escolheria o que lá vinha dentro. Estou tão habituada às minhas comprinhas que dei conta que raramente saio da minha lista, o que quer dizer que raras vezes arrisco alimentos novos. Este último cabaz obrigou-me a ir procurar receitas para as beringelas, a usar feijão verde que nunca compro vá-se lá saber porquê, trouxe-me amoras deliciosas e umas cebolas roxas que caramelizam que é uma maravilha. Só isto já foi suficiente para sair da outra rotina, a das refeições que parece que são sempre as mesmas! Eu bem que me vou esforçando por variar, mas o que sinto é que estou sempre a cozinhar a mesma coisa!
Confesso que estou um bocado farta da expressão "sair da zona de conforto". Parece-me que hoje, como nunca, anda toda a gente desconfortável a julgar pela quantidade de vezes que este chavão é atirado ao ar mas neste caso, "arriscar" em alimentos novos vez-me sentir que estava a entrar numa cozinha nova e que, pela primeira vez em muito tempo, não ia fazer uma variação daquilo que faço sempre.
Ainda em jeito de confissão, neste ímpeto entusiasta pela experimentação culinária, fiz um sumo de leite de aveia, beringela, espinafres, laranja (e ainda mas já no desespero), banana e gengibre, que ficou... tão bom quanto a cor castanho-caca denúncia. Mas aí a culpa é minha e da minha falta de talento e, à conta disso, vou hoje sair da minha zona de conforto, sempre que o tiver de beber.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Just say no.


Estava a ler o livro da Bea Jonhson quando me comecei a questionar sobre o quão bicho raro seria e quão mais bicho raro poderia ser. O tema em questão está relacionado com o primeiro "R" que rege a filosofia de Zero Waste: Refusal. Recusar parece um princípio simples mas na realidade em algumas situações pode parecer um bocado bizarro. Os exemplos que ela dá dizem respeito a rejeitar brindes que possam vir com alguma celebração (party favors e party treats), não usar os kits dos hotéis, não aceitar aquelas pastas cheias de tralha que dão nas conferências e eventos do género, não usar sacos para transportar algo de novo que possamos comprar... De facto, já há coisas que faço e outras que já ponderei fazer mas não me sentia confiante suficiente para fazer. Por exemplo, se estou em casa de alguém bebo água da torneira mesmo que me ofereçam água das garrafas de plástico porque lembro-me sempre do tal "continente" de plástico que há algures no Pacífico. Os donos da casa ficam sempre incomodados mas acho que podemos confiar nos nossos sistemas de controlo da qualidade da água. As meninas da Rituals tentam sempre convencer-me que, o saquinho onde é suposto o creme de corpo ir, "é muito jeitosinho e pode dar jeito para outra coisa" mas acabo sempre por pôr o creme na carteira perante muitas cabeças a abanarem em negação. Na Zara, por exemplo, não tenho lata para dizer que não quero saco, mas acho que vai ser o próximo desafio. Passando para a comida, outra coisa que acontece é dizer que não quero do o arroz/batatas/salada que está previsto numa dose, por exemplo, do H3. "Não quer?! Mas olhe que é seu e está a pagar por ele?!". Está bem, mas se não vou comer devo deitar fora só porque paguei? Eh pá, que faça bom proveito a alguém. Com a miúda passa-se o mesmo. Cá em casa não há doces de nenhum tipo: rebuçados, gomas, chocolates, cereais de pequeno almoço, chupas, bolachas de chocolate, pães recheados, sumos... Não há! Na rua também não lhe damos nada do género e por isso metade das coisas ela não sabe o que são e não sabe como se comem. Isso está controlado. Mas e quando oferecem? Não me esqueço que no último dia 1 de Novembro lhe ofereceram um chupa, pelo Santoro, e ela olhou para mim sem saber o que fazer àquilo. Depois olhou a pessoa que ofereceu e eu expliquei: "ela nunca comeu chupas ou rebuçados". Se houvesse ali um telefone parece-me que teriam chamado a protecção de menores! Que raio de mãe que não dá doces a uma criança com 2 anos e meio?! Hoje em dia, se vir que é uma coisa inofensiva, informo que ela não costuma comer doces e que por isso é capaz de não querer ou de não comer tudo (que é o que normalmente acontece). Quando é alguma coisa que não quero mesmo que ela coma (gomas, sumos radioactivos, bolachas cheias de açúcar) digo que não e recebo o olhar "olha-me esta tem a mania". Foi mais ou menos o mesmo olhar, acrescentando um "cabra" lá pelo meio, que recebi dos animadores de um parque aquático este Verão, quando não parei para tirar a fotografia da entrada. Ora, se eu já sabia que não a ia comprar por €7 à saída, porque raio havia eu de a tirar e "obrigar" alguém a imprimi-la para depois ir fazer lixo para qualquer outro lado? Também levei com a "la mirada", aqui há anos, no Rock in Rio por não querer metade da cangalhada que andavam a oferecer. 
Isto tudo para dizer que vou passar a dizer não mais vezes! Não aos brindes de ofertas, não aos flyers que são distribuídos na rua, não às garrafas de água, não aos sacos... Não! Não resolve, vai continuar a haver toneladas de coisas inúteis a fazer lixo mas pelo menos não sou eu a responsável por isso. A Bea, às tantas, diz no livro, que não há motivo para nos sentirmos desadequados socialmente, mas acho que é inevitável sentirmo-nos um bocadinho bicho do mato...

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Dos pecados que fazem doer!






Começo a perceber as novas reacções do meu corpo o que, confesso, me dá alguma pica! Parece que estou a jogar a um jogo a questão é que quando perco a consequência é ficar a parecer um trombolho! Mas do início: desde Maio que cortei os lacticínios, reduzi drasticamente o glúten (o meu pecado maior era o pão, mas sobrando pouco para lhe pôr dentro deixa de fazer grande sentido incluir nas doses gigantescas em que o comia...) e o açúcar (especialmente o refinado), evito ao máximo comprar alimentos processados (que é como quem diz, alimentos empacotados) e aumentei consideravelmente o consumo de frutas e vegetais. Ou dito de outra maneira: a minha alimentação virou uma espécie de virgem ofendida (mas de vez em quando lá lhe dá para a malandrice porque ninguém é de ferro). Tudo corria bem até que, este domingo, o meu Pai veio almoçar cá a casa acompanhado pela sua Cara Metade, por uma mousse e um bolo. Ora, dizem as regras que não se deve fazer a desfeita às visitas e, por isso, lá comi as sobremesas que estavam de fazer chorar de tão boas! O problema foi o dia seguinte. Não era só o peso na consciência, a celulite nas ancas, o pneu na barriga! Como se uma gaja já não tivesse o suficiente com que se preocupar, agora, graças à AR, os meus pecados vêm acompanhados de inchaço e dor (o que, diga-se de passagem, é um óptimo incentivo a não mijar fora do penico)! Segunda-feira, quando acordei, tinha em vez de pés duas batatas e as minhas mãos pareciam um molho de brócolos. De cada vez que punha uma patinha no chão desejava um daqueles carrinhos eléctricos que os velhotes usam nos supermercados. Ontem a coisa já estava bem mais tranquila.
Parece-me claro que as alterações que fiz na alimentação estão a resultar e me ajudam a minimizar os sintomas mas também é claro que dificulta um bocadinho as escolhas alimentares, principalmente fora de casa. Para contornar e controlar o que como tenho optado por fazer o que posso, consigo e sei. Vai daí, já tenho a minha versão de "iogurte"*, de bolachas que matam o bichinho que dá vontade de roer**, e a granola***. Portanto, pelo menos ao pequeno almoço, tudo o que como é feito pela natureza e por mim. Dentro de dias irei converter a banheira em canteiro e na varanda vou começar a criar animais. Estou a brincar! Mas a verdade é que me sinto-me um bocadinho Amish no que toca ao que vou fazendo na cozinha e há coisas que já não imagino que vá mudar.
Desse lado, quem é que já se rendeu ao DIY alimentar?

* basicamente fruta, "leite" de aveia, sementes de chia e aveia moída;
** uma adaptação desta receita;
*** inventada por mim mas que me sai muitíssimo bem! fica mesmo mesmo boa!;

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

The underdogs


Acabaram os Jogos Olímpicos. Confesso que gosto destes momentos: europeus, mundiais seja do que for... tudo que nos permita ver o ser humano a ser super-humano para mim é como uma ida ao cinema. Nestes jogos Olímpicos a coisa não foi diferente mas chocou-me haver tanto comentariozinho sobre as medalhas que não “ganhámos”. Logo este “ganhámos” faz-me alguma espécie... Ganha quem dá o corpinho ao manifesto, nós quando muito, ganhámos orgulho por partilhar a nacionalidade com quem ganha o que quer que seja. E depois, não estou a par dos procedimentos, mas não creio que o Comité Olímpico tenha livro de reclamações para se poder protestar por um serviço que nos foi mal prestado.
Os atletas que chegam ao Jogos Fucking Olímpicos (como se diz em americano) levam uma vida de sacrifício, sacrifício da vida pessoal, da saúde do seu corpo e de tudo mais que os treinadores de bancada têm por garantido, a troco de pouco mais do que a satisfação pessoal de superar objectivos e de o poder fazer em nome de um País. É uma vida inteira a não ter manhãs na cama, noites na farra, fins-de-semana de passeio e muita força de vontade para ir mais longe, para fazer melhor, para se ser melhor. Basicamente para se ser um exemplo de excelência.
Sempre fui fraca atleta mas, os anos em que competi como jogadora de pólo aquático foram os mais loucos, ou mais duros e os mais fantásticos. Imagino que a minha experiência não tenha sido muito diferente daquela de muitos dos nossos atletas que agora estão a chegar do Rio de Janeiro: transporte feito no carro dos treinadores/pais/atletas, compra de equipamento do próprio bolso, viagens de 300km em dias de provas por não haver dinheiro para alojamento, não ter as infraestruturas necessárias para treinar... Se perante este cenário, se nos tivessem pedido resultados de encher o olho, estávamos bem tramadas. No primeiro jogo que fizemos, contra o Belenenses, em Lisboa, na piscina de 50 metros em que treinavam, tendo feito meia dúzia de treinos em metade de uma piscina de 25 metros onde tínhamos pé, e a acabar de ler as regras do jogo na camionete Hiace mais velha que a maioria de nós, o resultado foi de 37-1 (o jogo, na altura, tinha a duração de 28 minutos... e eu era, literalmente, do tamanho da perna de uma das jogadoras que tinham mais tempo de treino do que eu de vida). Ao terceiro jogo, levámos 47. Depois as coisas melhoraram e até chegámos a ganhar vários jogos e tivemos jogadoras a ir à Selecção. Ainda assim, o balanço nunca foi brilhante. Perdi a conta ao número de vezes que me perguntaram, ao longo dos 7 ou 8 anos que joguei, o porquê de continuar por lá. É claro que havia sempre aquela motivação dada pelos treinos mistos (e o que é que eu quero dizer com isto? Ver aqui e depois chamem-me burra se conseguirem) mas era essencialmente o espírito que se cria quando nos comprometemos a ser melhores e temos uma equipa a trabalhar para chegarmos lá. Foi a nós que as derrotas mais doeram (principalmente no ego) e fomos nós que melhor saboreámos as vitórias. 
Sinto que a nossa equipa Olímpica somos nós - o Pólo Aquático Feminino da Académica no final dos anos 90 e início dos 2000 - e que a maior parte dos adversários são o Belenenses (com jogadoras de dois metros vestidas com roupões personalizados e fofinhos) e, por isso, faço vénia e encho-me de orgulho pelos atletas aos que foram ao Jogos, tenham (és grande Telma!) ou não voltado com medalhas.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Next book stop



E, tal como o previsto, as férias acabaram e o caos organizado que é a minha casa aguardou-me pacientemente. Perante a falta de um intervenção divina que pusesse ordem na barraca, tive de ser eu a pôr mãos à obra. A leitura dos livros (de que tinha falado aqui) ajudou em alguns aspectos, mas vamos lá ao balanço (se quiserem mais detalhes manifestem-se que também se arranja):

- não é preciso ler os dois, basta ler o mais recente que repete em grande medida o primeiro mas tem ilustrações que ajudam a perceber o texto (a tradução em algumas partes não está brilhante!);

- há dicas que sim-senhor: a estratégia para começar a arrumar, o critério fundamental para a escolha do que fica e do que vai, a forma de dobrar (uma coisa tão simples mas que faz tanto sentido), a ordem de arrumação... Depois da última empreitada até achava que tinha o armário organizadinho mas ainda dei muita roupa e o armário da Sardanisca também ficou organizado de forma bem mais prática! Acho que as dicas são especialmente úteis para os roupeiros de crianças;

- há dicas que nem-por-isso: parece que a reciclagem e a doação não são opções. Compreendo alguns dos argumentos que a autora usa mas parece-me que pode haver um meio termo entre o deitar fora e o acumular;

- há dicas que não-lembram-nem-ao-menino-jesus: agradecer às peças a alegria que nos deram antes de as deitar fora, agradecer diariamente às coisas que nos foram sendo úteis ao longo do dia, sentir a vibração e a alegria da roupa e dos espaços mas, acima de tudo, a ideia de deitar livros fora! Pode vir a mulher da fava-rica que não deito livros fora!

Depois de perceber a quantidade de tralha que ainda deitei fora fiquei a sentir-me mal... e ainda nem me aventurei pelos brinquedos da miúda! Como é que é possível duas pessoas e meia fazerem tanto lixo? terem tantas coisas? Ainda para mais, não somos ricos (nem pouco mais ou menos) e a nossa casa é uma espécie de miniatura das casas das pessoas crescidas. Foi aí que apareceu o próximo livro (que não vou deitar fora) e que não consigo esperar para começar a ler: "Zero Waste Home: The Ultimate Guide to Simplifying Your Life" da Bea Jonhson. Ainda só li o que a Amazon me deixa mas estou esperançosa porque, aparentemente, à medida que vamos deixando de ter coisas vai sobrando tempo e dinheiro, que é coisa que faz sempre falta!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Aí estão os motivos...



Ontem alguém me perguntava se ainda estávamos pelo Caramulo ou se já estávamos a salvo. Já estamos em casa, e (para já) estamos a salvo (mas quando metade do país está a arder não sei se alguém se sente seguro)! Viemos embora de Sobral (Macieira do Alcoba - Freguesia do Préstimo) no Sábado e, no Domingo, aquele lado do Caramulo começou a arder! É incrível pensar que o verde todo que nos roubou a respiração durante quase uma semana está agora reduzido a nada! Confesso que pensei algumas vezes, principalmente quando nos enganámos no caminho e descemos a Serra por um estradão agrícola (Vale d'Égua, Lourizela), que se algum maluco se lembrasse de pôr fogo ali que dificilmente sobraria alguma coisa. Resta-nos o fraco consolo de pensar que pudemos desfrutar com a nossa filha um bocadinho do Céu que existia mesmo pertinho de nós.
Agora não consigo deixar de pensar no desespero que as pessoas estão a sentir porque, do outro lado do Caramulo, do meu lado do Caramulo, já tive Tios e Primos na mesma luta injusta e até em Coimbra já vi o fogo a lamber as nossas portas, por isso, conheço, vagamente, a sensação de ficar sem ar e de ter o peito a encolher com a impotência que se contraria mais por teimosia do que por esperança. 
No meio disto tudo, que os Bombeiros não desistam de ser super-heróis mais este Verão e que nós possamos perceber como fazer a nossa parte para ajudar.

sábado, 6 de agosto de 2016

Cádê um bom motivo para irmos embora?









Acima estão os meus argumentos a favor de ficar e não tiro o rabinho da minha rica Casa Verde até alguém me convencer que estou errada.

(Casas do Espigueiro; no meio da Serra do Caramulo; a 20 minutos da cidade mais próxima, Águeda.)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Full disclosure



Este é aquele post que fica nos rascunhos meses sem fim à espera que a censura o apague para todo o sempre ou que se arranjem tomates para o publicar. Tendo em conta que isto está a ver a luz do dia, é possível que esteja mesmo a tornar-me um homem ou então que me vou arrepender de carregar no botão de "publicar" daqui a 35 segundos. Mas vamos lá então, porque sempre fica mais claro o porquê desta barcaça ter ficado tantas vezes à deriva neste último ano e porque, às vezes, é bom saber que há vidas que não são perfeitas neste mundinho de Deus em que tudo que fique mal num quadradinho de instagram não existe! Ou então eu sou a excepção à regra... sou a única gaja que ficou com a vida meio desarrumada, sem um plano para a voltar a endireitar e sem que isso fosse uma opção pós-moderna para uma vida mais "livre".
Desde Junho do ano passado que descobri o seguinte: que não ia ter trabalho (não em moldes que pudesse aceitar), que a minha melhor opção, do ponto de vista profissional, era um plano com fraquíssimas possibilidades de dar certo e de facto não deu certo, que tinha um vírus a comer-me o olho por dentro (mais ou menos, vá) e uma doença auto-imune crónica. Por tanto, em seis meses passei de ser uma pessoa completamente normal (com trabalho e saúde) para estar desempregada e doente. Fixolas, certo? Não tenho dúvidas que as coisas estão relacionadas. Que o stress de não saber o que ia acontecer à minha vida fez o meu corpo entrar em curto-circuito. Era muita tralha para processar e tentar não fazer o fardo maior do que aquilo que ele era para não preocupar as pessoas à minha volta. Não fui bem sucedida porque preocupei na mesma. A determinada altura, os únicos momentos em que as coisas não estavam negras eram quando estava em família e quando estava a correr. Nos entretantos era uma mistura de pânico com acção... mas uma acção semelhante à de uma galinha com a cabeça cortada. Corre em todas as direcções e vai a todas mas sem nenhum plano. Foi preciso bater contra muitas paredes para finalmente acalmar e começar a pôr as coisas em perspectiva. Tive de começar por parar para respirar e não pensar em mais nada se não isso. Não pensar no que ia ser de nós nos próximos meses, nos próximos anos e não pensar nos planos que tínhamos para um futuro próximo. Os vinte minutos por dia em que parava começaram por ser vinte minutos de pranto, depois de angústia, depois de tristeza, depois de aceitação e depois de (alguma) tranquilidade (que o Nirvana ainda está longe). E depois, dei-me um estalo-abre-olhos, deixei de sentir pena de mim e fiz-me à vida. Descobri há uns meses uma estrofe de uma música do Samuel Úria (vénia) que define esse momento:


Não há uma palavra nestes versos que não espelhe aquilo que vivi.
Saí da neura permanente (ela volta e meia lá aparece) e passei os dias a procurar trabalho, trabalhar de borla (não há falta de trabalho, há é falta de dinheiro, ou vontade para o pagar), a ir ao médico, correr e meditar para além das tarefas domésticas e familiares. Quando tudo começava a ficar meio merdoso, lá insistia um bocado mais na história da meditação, corria um bocadinho mais de tempo, via mais um episódio da Patrulha Pata com a minha garota. Eventualmente as coisas tornaram-se mais simples. Mas foi preciso a atitude "que se foda" - aquela que o Cristiano Ronaldo tão eloquentemente explicou ao Moutinho - para aos poucos as coisas se irem encaminhando e estão de facto a encaminhar-se.
Isto tudo para dizer, que às vezes as coisas não correm bem e isso faz parte e não temos mais ou menos valor por isso. Às vezes é preciso que as coisas não corram bem para fazermos alguma coisa que nos tire do marasmo e nos mostre que até temos força quando, basicamente, achávamos que éramos uma espécie de ameba vertebrada. Afinal não, até temos cá qualquer coisa que nos faz levantar... as vezes que forem precisas. Há dias em que sinto na pele que este não foi o último trambolhão (basta as dores apertarem mais para começar em contagem decrescente para o esbardalhanço) mas descobri, que para mim o truque para não enlouquecer e não ter o corpo a implodir, é acreditar no timming dos acontecimentos (até o das tareias) e de que tudo vai ficar bem (e está a ficar bem).

(Aceitam-se apostas: quanto tempo até me arrepender de ter publicado isto?!...)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Orga-Nice


Acho que as últimas palavras que disse, completamente pegajosa e estoirada das limpezas e arrumações, antes de fechar a porta e ir de férias foi "esta casa está o caos!". Virei costas e comecei o processo de mentalização para o que me aguarda no regresso. A verdade é que a nossa casa parece que diminui na exacta medida em que a Sardanisca cresce e, na realidade a miúda é alta como o caraças. Conclusão: tudo quanto é canto tem alguma coisa que pode, ou não, ser fundamental para o nosso dia-a-dia. Não sendo, nem tendo pretensões a ser minimalista, a verdade é que não gosto de confusão e sei que tenho mesmo que meter mãos à obra. Como neste mundinho parece que nada acontece por acaso, estava eu tranquila da vida no meu feed do facebook dei de caras com o título "a mulher mais organizada do mundo". Fiquei com os pêlos da nuca eriçados porque acho que sou uma gaja organizada e queria ver quem é que era a fulana que tinha a lata de se apropriar de um título que um dia até podia ser meu?!? Pesquisei e fui dar à Marie Kondo. Uma japonesinha que pelos vistos desenvolveu todo um método sobre como arrumar uma casa à prova de desarrumanço. Não sou miúda de me ficar e no dia a seguir comprei logo os dois livros que estão escritos em português. Tem ideias que só no país da Sailor Moon - do género, de agradecer aos objectos que vamos deitar fora pelo serviço prestado (I kid you not) - mas tem outras que vale a pena tentar. Se eram precisos dois livros para explicar a coisa? Não, mas depois como é que a moça pagava as contas?! Vou ver se resulta e depois digo alguma coisa.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Namas-quê?



As minhas maleitas andam boas e recomendam-se, que é como quem diz, estão cá, mas estão calminhas. Ainda assim, os últimos tempos, tenho feito o desmame de alguns medicamentos e os sintomas (essencialmente as dores) têm resolvido dizer-me "olha lá, tu não te estiques que a malta ainda por cá anda". Tudo bem. Já têm a chave de casa e já conhecem as regras de convivência, mas ainda assim, sentia que havia ainda algumas questões a acautelar. A missão meditação já está em curso há uma série de tempo e a dar frutos, mas para além disso fazia falta mais qualquer coisa. Depois de meio mundo me dizer que o Yoga era especialmente "bom" para pessoas com AR e de ter lido este livro (ter uma mana mais velha super-informada e cheia de mundo é uma grande vantagem), lá resolvi arriscar. E caracinhas p'ráquilo! Fui para lá toda armada ao pingarelho, "ah e tal, é muito parado para mim" e no fim de cada aula só me apetece dar-me estalos por ter achado que sou muito fit para coisas zen. A verdade é que o Yoga é muito mais do que torcer o corpo em posições esquisitas, muito mais mesmo. Implica concentração, determinação, confiança, desprendimento... basicamente, qualidades que estão em deficit na minha pessoa! Há momentos que penso "eu não estou a fazer isto!!", e por isto entenda-se estar de pé com a cabeça entre as pernas e de olhos fechados a dizer "vam, ram, yam"... A cena dos mantras e de dizer coisas ainda é um bocadinho estranho para mim. Mas faço e no fim sinto uma verdadeira badass ainda que esteja com tudo quanto é músculo a tremer por ter de suportar o meu próprio peso sobre pequenas áreas de mim e por ter conseguido fazer, literalmente, o pino ainda que esteja completamente acagaçada com a perspectiva de um estatelanço público e monumental. Se isto não é uma metáfora para a loucura deste último ano, não sei o que será! Basicamente, o yoga, está a revelar-se a cereja no topo de um bolo muito alternativo que tem sido a minha tentativa de perceber o que se passou/está a passar comigo. Tendo dito isto, reitero o apelo: caso me vejam a cantar o hare-hare-krishna-krishna, sintam-se à vontade para me alinhar os chakras à chapada.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Tenho uma coisa a dizer sobre os novos gambuzinos.




Live and let live.
Parece-me que o pessoal se abespinha por tudo e por nada! É uma coisa mais ou menos tola, mas pronto. Se as pessoas são felizes deixá-las. Daqui a 15 minutos isto passa e aparece outra moda ainda mais parva.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Vamos lá às explicações



Este ano o blogue tem andado a viver uma montanha russa. Um bocadinho à semelhança da minha vida. Desta vez a paragem aconteceu mais ou menos de forma natural. Tive três semaninhas para preparar um trabalho e, ao contrário do que costumo fazer, decidi dedicar-me completamente a isso. Desliguei de tudo. Não foi um processo consciente mas soube-me muito bem. Tive o equipamento de corrida pronto para ser vestido durante uns 15 dias e às tantas resolvi arrumá-lo (a última prova deu cabo de mim in more ways than one). Ao mesmo tempo, não tinha qualquer vontade de ligar o facebook, o instagram ou qualquer outro canto do mundo virtual. Deixei-me estar e os meus dias resumiram-se a trabalhar, cuidar da Sardanisca, do Homem, da Manga e da casa. Eu sei que parece pouco, ou chato, ou as duas coisas, mas era mesmo isso que precisava. Além do mais a minha cabeça estava completamente vazia e qualquer coisa servia de desculpa para não escrever: "ainda é muito cedo", "já é muito tarde", "não tenho fotografias", "não sei que fotografias escolher...". Estas "férias" ajudaram-me a juntar algumas peças do puzzle deste ano. Levei tamanha tareia nestes últimos meses que alguma coisa tinha de mudar, de acontecer e acho que este reboot deu uma ajudinha. Agora, que já saí da caverna, momento sempre marcado por uma mega sessão de remoção de pilosidades que entretanto cresceram, parece-me que já estou pronta para os mundos. Este e aquele onde a esta hora estão cerca de 54ºC. Vamos lá ver se agora estou na carreira certa!

sábado, 23 de julho de 2016

Flaked




O maravilhoso mundo da Netflix chegou cá a casa e como tem a morte anunciada para daqui a três meses (o tempo em que temos o serviço de graça) estou a espremê-lo sem dó nem piedade. Já tive algumas desilusões e revelações. Entre as revelações está o Flaked. Comecei a ver porque gosto do Will Arnett (não gosto muito da voz dele mas fora isso o rapaz tem pinta) e papei os 8 episódios da primeira temporada como quem come tremoços. É uma espécie de Californication mas menos dark e com menos sexo gratuito e sem a cara de solha do tipo dos Ficheiros Secretos. Achei a história original, achei as voltas do enredo pouco previsíveis e achei que o Will Arnett está com um corpo que sim-senhor. Ainda não tinha acabado o último episódio já eu estava a pesquisar para saber como é que estávamos de segunda temporada. Qual não é o meu espanto quando vejo que as reviews são péssimas! Tudo a desancar na série como e não houvesse amanhã. Ainda assim, parece que vai haver segunda temporada. Espero que sim, quanto mais não seja para que eu perceba o que há de tão mau! Fica a sugestão para as férias. São episódios curtinhos ideais para a sorna do fim de dia de praia!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

1, 2, 3 experiência?!



Estou por aqui, estou viva e, em princípio, de volta. Mas devagarinho, porque está muito calor.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Sou uma mulher mudada... aliás, se mudo mais viro homem!


Nada como estar com o rabinho apertado para começar a considerar mudanças mais drásticas na procura da normalidade. (Parece um contra-senso: mudar para voltar a sentir-me normal.) Nos primeiros tempos, depois de ter recebido os resultados das primeiras análises e de ter percebido que havia um problema autoimune associado a processos inflamatórios, comecei a ler tudo o que me aparecia pela frente. Logo nas primeiras leituras percebi que havia alguma consistência de opiniões no que respeita ao pontencial inflamatório de alguns alimentos. Avançando na pesquisa dei conta de que os lacticínios eram os grandes vilões desta história. A minha irmã, que adora um bom desafio e por isso assumiu esta empreitada como dela, disse-me o mesmo. Mais, que tinha uma amiga com AR que tinha banido os derivados do leite da dieta e que se sentia melhor assim. Eu torci o nariz. Relembro que era à minha conta que a indústria do leite sobrevivia em Portugal. Eu sou/era a gaja que vivia feliz e contente se no mundo só existisse leite, queijo, manteiga, iogurtes e tudo do que daí pudesse ser feito. Confesso que demorei até ter coragem para fazer a experiência de cortar com o que era mais querido... é que não era só o queijo e os iogurtes... os gelados, o chocolate... O CHOCOLATE!!! eu, que era menina para comer uma tablete de 200g como quem bebe um copo de água... Foi só quando o meu corpo deu o tilt (lá para Abril) que no desespero cortei com tudo que não fosse comida a sério. Acho que houve dias que rosnei e outros em que mordi. Enquanto eu ressacava pelas minhas tostas de queijo e pelas minhas torradas a pingar de manteiga, o meu homem ferrava o dente em tudo que era coisa boa. Mas resisti e as dores e as inflamações das mãos e dos pés foram desaparecendo. Não foi de um momento para o outro mas, na última consulta de reumatologia, nas vésperas do meu 35º aniversário, o médico achou que podíamos aliviar a medicação e, os comprimidos mais hard-core, ficaram só para SOS. Apesar do reumatologista ter dito que podia fazer alterações na dieta mas que isso podia não fazer grande diferença, o gastrenterologista disse que era capaz de ser boa ideia e que podia ajudar a resolver um outro problema que entretanto tinha surgido (não há forma bonita de dizer isto: diarreia aguda que durou mês e meio. Não é simpático) Tenho-me aguentado. Tenho umas dorezitas mas nada de outro mundo e tenho aproveitado para fazer experiências com a comida. Até ver os resultados não têm sido brilhantes. Se meto a pata na poça já sei que as vou pagar. Já entrei no mundo dos iogurtes e queijo sem lactose mas não resulta. Tenho andado a matar o bicho que coisinhas boas com fruta, mel, sementinhas, aveia, tef, quinoa, tapioca e tudo que possa absorver ou ter algum docinho. Não é a mesma coisa. Um bocadinho de mim morre quando passo por um frasco de Hagen Daz ou Ben 'n' Jerry's ou vejo aquela cor roxa e a vaquinha dos Milka mas é a vida. Há coisas piores... não mexer as mãozinhas é pior. Ter o estômago feito um passador à conta dos anti-inflamatórios é pior. Haja comida a sério, mel e manteiga de amendoim e a coisa resolve-se!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Programa de fim de semana: "mais uma corrida, mais uma viagem"



Vocês os cinco que ainda por aqui passam (sim, porque a esta altura já houve duas almas que desistiram de acreditar que este pasquim virtual iria melhorar...) se não têm planos para este fim-de-semana, nada temam, eu tenho a solução!!
Este fim-de-semana vai estar sol e tempo ameno. Já ninguém tem pachorra para as horas intermináveis para a sucursal inglesa que se situa no Sul do país, por isso a solução é dar um pulo à Nazaré, comer um peixinho, dar um mergulho e, ao fim do dia, ir apoiar os maluquinhos que vão estar a participar na Corrida da Nazaré! Acreditem que é um ambiente único e uma prova fantástica. Eu lá estarei, à frente da ambulância e das motas da polícia a garantir que fico em último e à espera de ouvir as palminhas e os gritos de "tu consegues!". Quem se junta a mim?
Ah... ali no filme é mesmo esta vossa escriba que aparece... o ar de enjoadinha foi agravado por estar de facto cheia de comprimidos no bucho que me davam aquele ar meio esverdeado e a penca vermelha é mesmo do frio. Agora já estou melhor, já só tenho ar de tótó!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

"Correr com ela"... nos dois sentidos da expressão


Nota prévia: este é um posto transmitido em simultâneo (qual cadeia de canais de televisão) para este estaminé e para a minha outra casa. É que isto anda escasso de inspiração.

Hoje em dia quando acabo uma prova de corrida dou por mim a dizer "Cris: 1 - AR: 0" e dou a mim mesma um high five mental. Admito que isto roça o esquisito mas dá-me mais gozo superar estes desafios porque, apesar de ainda não estar a conseguir chegar aos meus melhores tempos e distâncias e apesar de não estar a evoluir (no sentido de estar a fazer melhores performances), a verdade é que sempre que ultrapasso a meta não faço sozinha. Sou eu e a AR... que às vezes é um emplastro chato de carregar. E, invariavelmente, sou levada para a primeira consulta de reumatologia quando as duas coisas que eu não queria que acontecessem se confirmaram: alguém dizer-me que os sintomas eram o resultado de alguma coisa real e que teria de deixar de fazer exercício, ou que pelo menos não o podia continuar com o ritmo que estava. Em relação à primeira novidade, não havia grande coisa a fazer, já no que diz respeito à segunda, a solução era fácil: mudar de médico e continuar a mudar até encontrar um que me dissesse "continue a fazer o que a faz sentir bem". Felizmente foi à segunda e não precisei de ouvir mais nada para me sentir poderosa! É claro que há dias que tenho de pedir licença ao corpo para sair da cama, há dias em que faço dois quilómetros e apetece-me estender do chão e pedir a alguém que me carregue e há dias em que acabo fresca e fôfa 10k e, a parte boa, é que esses começam a acontecer com mais frequência. Acho que já vou sabendo como me defender e minimizar os sintomas e estou a arranjar forma de levar a minha vidinha quase que a fingir que não se passa nada comigo. Dá trabalho e implicou (implica) algumas mudanças, principalmente na alimentação e na gestão do stress, mas parece que estou a conseguir encontrar o equilíbrio.
A verdade é que nunca me soube tão bem acabar as provas como agora.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Falhas de comunicção



Parece que as coisas já se estão a encaminhar e começa tudo a entrar novamente nos eixos e agora, que vou olhando para trás, vejo muitas coisas que têm o seu lado cómico. Uma das coisas que eu aprendi no meio desta trapalhada toda: só convém dar más notícias sobre a nossa saúde quando estivermos preparadas para animar o destinatário da mensagem. Dei por mim a dar a novidade sobre a AR a algumas pessoas para logo depois dizer "mas está tudo bem! eu estou bem! não fiques preocupado!". Isto por si só, é o que é, nada de especial, mas depois leva a outra situação caricata, que é as pessoas pensarem que afinal não temos nada! Passam por nós passado uma semana e perguntam: "está tudo bem?" e uma pessoa lá ensaia uma resposta que não seja mentira mas que não seja desanimadora - "já sabe não é, isto agora tem que ser ir acompanhando, não passa assim do dia para a noite...". Do outro lado chega-nos um "ainda bem que já está boa!". A versão da família mais próxima é semelhante, mas roça mais a negação:
- então, estás melhor?
- oh... mais ou menos na mesma...
- ainda bem! o que é preciso é melhorares.

A maior parte das vezes sorrio e deixo a conversa por aí... acho que não é preciso ir por caminhos por onde a maioria das pessoas não gosta de andar... e com razão.