sexta-feira, 26 de maio de 2017

"A" dica de life coaching. De nada.





Se este fosse um blog com ambições internacionais o título seria qualquer coisa como "How to get inspired in one step". E a resposta era rápida: ouvindo as histórias de pessoas inspiradoras. E de onde vem esta epifania nesta altura do campeonato? Será um misto de hormonas descontroladas misturadas com uma manhã muito bem passada na National Geographic Summit. Nunca pensei que viesse a ter uma oportunidade destas (é [só] a primeira vez em 130 anos que a NG escolhe Lisboa para fazer esta simeira o que é indicativo da frequência com que isto se irá repetir) e muito menos que viesse a estar a 4 metros de uma das pessoas que mais admiro. Não tenho ídolos, não tenho mesmo, mas se tivesse um seria a Jane Goodall que contou ontem como fez o percurso dela nos últimos 60 anos. Mal sabia eu que ia ficar presa e a babar com a comunicação da Jodi Cobb e com as fotografias que ando há anos a guardar num pastinha sem saber que eram dela. Também gostei muito de ouvir o Tristram Stuart mas nada que se chegue ao pé das outras senhoras.

O que mais gostei de perceber foi a importância que a educação que os pais (em particular as mães) deram teve no percurso destas pessoas que andam a mudar o mundo. A mãe da Jane Goodall não stressava quando a filha dela desaparecia durante horas para observar galinhas e ver como elas punham os ovos, ou quando a miúda levava minhocas para dormir na cama. Não as deixa ficar explicando que aquele não era o local ideal para elas estarem. A mãe da Jodi adoptou uma pergunta do filho de quatro anos como mantra familiar: "o que é que eu posso fazer que ainda não tenha feito?". Por conta disso, ainda a Jodi não tinha 14 anos e já tinha feito uma volta ao mundo.

Depois foi perceber que mesmo pessoas extraordinárias nem sempre são reconhecidas à primeira (eu sabia que ainda havia esperança!). Tanto uma quanto outra, tiveram bolsas NG negadas nas primeiras tentativas e entretanto tornam-se rosto dos seus programas de investigação.

Eu fiquei inspirada. A querer fazer coisas giras com a minha vida, mas acima de tudo, cheia de dicas para educar as minhas miúdas.

Amanhã isto passa... mas espero que não!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

E agora o que é que eu lhes digo?


Os meus (quase) 36 anos de vida ainda não me ensinaram muita coisa mas havia uma convicção (ou será resignação) que tinha: éramos pequeninos. Um país pequenino no canto da Europa. Há um certo conforto nisso. Não se espera muito de nós e felizmente o nosso passado é grande o suficiente para nos dar a sombra necessária para não nos sentirmos medíocres. Por isso, chegar a meio da tabela já era como se tivéssemos ganho e os segundos lugares e "quases" servem de consolo. Este cenário é tão confortável que o adoptei para mim (e é sem orgulho e com uma enorme vontade de mudar que o digo). Faço o suficiente por não desiludir e se isso me levar a algum lado já acho que é um bónus. Tudo batia certo no "país do conforto" quando, de um ano para o outro, tudo muda: temos o Guterres a ser eleito uma das figura mais importantes do planeta, temos a selecção a ganhar o Europeu, agora ganhámos a Eurovisão a que se soma o 36.º campeonato do meu Benfas que ao mesmo tempo também é Tetra. Tudo miragens até há meia dúzia de anos. O caraças é que agora, de repente, fico sem o argumento do "assim-assim", do "não deslumbra mas também não desilude", do "já não é mau". Sim, porque tenho um ser pensante em casa, a que em breve se somará outro, e como é que eu as convenço, a elas que ainda só conhecem um país vencedor, a tentar serem outra coisa que não as melhores e a acreditarem que têm boas chances para o serem? Como é que eu posso querer que elas trabalhem para isso (sim, porque tirando o milagre de Fátima, tudo o resto veio com muito trabalho) se eu não der o exemplo? Estou tão tramada... e tão orgulhosa e tão inspirada! Ainda é estranho levantar a cabeça e encher o peito por sabermos que somos bons mas acho que rapidamente me vou habituar. Ou, como diria um outro grande senhor da música, "eu só sei crescer" (a música preferida da mais velha).

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Pode ser que no sábado se dê o milagre!

A minha interpretação de amar pelos dois... ou como agora me faz sentido, pelas três

Eu bem queria ser aquela tipa a quem as coisas main stream passavam ao lado mas neste caso não dá! Ontem vi pela primeira vez, em mais de 25 anos, o festival da eurovisão e isso é digno de registo. E a "culpa" é dos manos Sobral! Gosto da música e só me irrita o facto de não a conseguir cantar e tão bem como quanto o Salvador (secretamente gostava de ser cantora)! Adorei ver a palhaçada dos outros concorrentes com fogo - mais um bocadinho e aquele palco ficava a parecer uma zona de mata durante o Verão em Portugal -, roupa reduzida, água, bailarinos e o raio que o parta mais o inglês partido, enquanto o nosso miúdo se apresentou quase sozinho, ou melhor dizendo, só com o essencial: a voz do caraças, um piano e violinos. Basicamente a cantar. Num festival em que é suposto fazê-lo apesar das manobras de diversão que já parecem vir nas regras.
Estou fã.

Só uma dúvida: desde quando é que a Austrália faz parte da Europa?

sábado, 6 de maio de 2017

Interrompe-se esta interrupção para dar conta do seguinte:



1. Sinto que pari uma casa;
2. Dentro do tema: a cria continua por parir (se tudo correr bem, por mais um pouco menos de meia dúzia de semanas);
4. Tenho um milhão de bandeirinhas vermelhas no mail... assim ao longe, parece que estou a jogar ao minesweeper;
3. Já deixámos a casa antiga e estamos na casa nova;
5. Já não vou ao ginásio há três semanas;
6. Em compensação, nunca fiz tantos agachamentos, levantamento de pesos, step, e treino de superiores como durante as últimas três semanas! Treinos bi-diários antes e depois do trabalho... espero voltar ao gym na próxima segunda-feira para ver se descanso;
7. Um dos inconvenientes de carregar caixotes aos sete meses de gravidez é o quanto a barriga atrapalha;
8. A vantagem de mudar de casa aos sete meses de gravidez é que não se aumenta de peso (eu... a bebé está crescidinha);
9. As limpezas domésticas, daquelas que são mesmo a fundo, que dão direito a limpar rodapés, interior de armários, filtros de exaustores, frisos de portas e afins, podem tornar-se uma espécie de performance do Cirque do Solei quando há um pequeno ser dentro de nós que não gosta de ser apertado quando nos dobramos... estou toda negra por dentro;
10. A cada ida a uma superfície médica da capital e arredores, só tenho mais vontade de fugir para Coimbra para que a miúda possa nascer num lugar um bocadinho mais simpático onde me digam outra coisa que não seja "não posso fazer nada" a cada mini obstáculo que aparece;
11. Mas dava-me tanto jeito tê-la perto de casa!... não me apetece nada voltar a arrumações de roupa;
12. Não só não tenho a certeza do local onde vou dar à luz como ainda não tenho nada pronto para o efeito;
13. Parte do meu cérebro já está feito em papas com as hormonas e eu ainda tenho pelo menos quatro semanas de trabalho pela frente e dava-me jeito que ele funcionasse;
14. Cereja no topo do bolo, estou naquela fase de dormir 4 a 5 horas por noite, quando na verdade queria dormir 14 ou 15;
15. Neste momento pareço-me com um homem das cavernas com um vício em cerveja: barriga proeminente, pêlos por todo o lado, aos mãos a parecerem-se com cascos e os pés a fazerem inveja às lixas das rebarbadoras;
16. A mais velha alterna entre o doce e o amargo a cada cinco minutos mas está numa das fases mais incríveis de sempre;
17. O meu homem depois das mudanças entrou em coma e procura transplante de costas porque nem na tropa levou tanta "porradinha" como durante estes tempos (vivíamos no equivalente a um terceiro andar sem elevador e foi ele que carregou a esmagadora maioria dos caixotes, para não dizer todos porque eu ainda levei uns quantos... com almofadas e coisas do género);
18. Há alturas em que penso que queria mesmo que a garota nascesse agora para ter de abrandar;

Agora, se não se importam, vou continuar em negação e, apesar de tudo, a curtir esta fase de mudanças!